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Polícia

Travesti é encontrado morto na Região Norte; movimentos lgbts condenam

Movimentos LGBT's do Tocantins comentam assassinato de Edymara

14/07/16 11:59 | Atualizado em: 14/07/16 11:59

A Polícia Militar encontrou na tarde de ontem, no setor Lago Norte, o corpo do travesti Edymara (nome de registro Edymar Mesquita Leão), de 36 anos em estado avançado de decomposição.

De acordo com informações da PM, Edymara, que era dona de um salão de cabelereiro na região não comparecia ao trabalho desde segunda-feira. Os vizinhos teriam chamado a polícia por conta do odor forte nas imediações da residência. Ao chegar ao local, os policiais encontraram o corpo de Edymara com uma corda amarrada no pescoço. A suspeita é de que a morte tenha acontecido há três dias.

Apesar de não se saber a causa da morte, já que as notificações por parte da polícia não incluem crimes homofóbicos, para Brendhon Andrade, membro do Movimento Universitário pela Diversidade Afetivo Sexual (MUDAS-UFT), como o corpo da cabeleireira foi encontrado com marcas de tortura e violência extrema, pode-se acreditar que o crime tenha sido motivado por ódio e preconceito.

“Os crimes de homobobia e transfobia são acompanhados de uma violência muito forte, porque os que caracterizam é justamente a violência exagerada sobre o corpo, que sempre tem maiores mutilações, é muito violentado, tem o caráter de destruição do corpo da pessoa. Ele é seguido de uma violência exagerada ao corpo.

Como a morte da Edymara, o corpo foi encontrado dessa maneira, tudo isso leva a crer que pode ser um crime transfobia, já que ela é trans”, diz.
Segundo Brendhon, o movimento recebe a notícia com indignação, já que, de acordo com ele, o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo, e o Tocantins está entre os estados mais lbgtfóbicos do Brasil.

“Palmas não fica longe no ranking, está entre as 10 primeiras capitais mais homofóbicas do país, então a primeira coisa que a gente tem que pensar é sobre essa violência nacional e no contexto regional. Recebemos a notícia com muita indignação, porque a cada dia vemos a nossa população ser dizimada pela discriminação, pelo preconceito, pela violência. Não vemos o poder público, as secretarias, a Assembleia Legislativa tomarem alguma posição sobre isso. O Executivo finge que a gente não existe e o Legislativo faz nota de repúdio por qualquer coisa que fazemos. Ficamos consternados, mas esperamos que esse crime seja investigado. Sentimos muito pelos familiares de Edymara”, ponderou.

A Associação de travestis e transexuais do Estado do Tocantins emitiu uma nota de repúdio, através da presidente Byanca Marchiori. “A Associação de Travestis e Transexuais do Estado do Tocantins (Atrato) torna público o repúdio ao assassinato ocorrido há dois dias e somente agora descoberto pela polícia do Estado, da travesti conhecida por Edymara, cabeleireira, autônoma e séria. Ressaltamos que seja dada a atenção e interesse por meio da Justiça e que os órgãos competentes, principalmente Segurança Pública do Estado, façam com que os culpados sejam punidos, conforme os Direitos Humanos e a vida. Somos cidadãos e precisamos também da defesa por meio do Estado. Estamos unidas em busca da justiça. Que esse não se torne mais um assassinato, mais um crime de transfobia em que as autoridades e toda a sociedade deixam de lado como se eles nem se quer ocorressem”.

A perícia e o IML foram acionados e estiveram no local e o caso foi encaminhado à autoridade policial.