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BRASIL

SBT, Record e Globo exibem “exclusivas” com vítima de estupro

Esse foi o assunto da semana

30/05/16 10:54 | Atualizado em: 30/05/16 10:38

Assunto da semana, o estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio é o prato principal da programação de TV na noite deste domingo (29). As três principais emissoras de TV aberta realizaram entrevistas com a jovem, todas anunciadas como “exclusiva”.

O “Conexão Repórter”, do SBT, foi o primeiro a falar com a jovem, mas será o último a exibir a sua entrevista, por volta da meia-noite. Um trecho da conversa com Roberto Cabrini foi exibido no telejornal “SBT Brasil” na última sexta-feira (27).

A Record exibiu a sua entrevista, feita por Vinicius Dônola, no “Domingo Espetacular”. A emissora divulgou em seu site um breve trecho, no qual alterou a voz da adolescente com um recurso eletrônico, impedindo o seu reconhecimento. Ao apresentar a conversa no programa, a voz da jovem foi ouvida normalmente.

Já a Globo exibiu a sua entrevista no “Fantástico”. A emissora não promoveu trechos previamente, mas a informação de que esta seria uma atração “exclusiva'' do programa foi divulgada à tarde, no meio da transmissão de futebol da emissora. A repórter Renata Ceribelli conversou com a moça, que teve sua voz alterada.

Se as três emissoras vão exibir na mesma noite entrevistas com a mesma pessoa é correto dizer que são “exclusivas”? Segundo o “Manual de Redação'' da “Folha'', não se deve fazer isso. “Não use a expressão 'entrevista exclusiva' quando uma personalidade concede entrevistas individuais a vários veículos de comunicação em um mesmo dia'', recomenda o jornal.

Por este critério, o correto seria dizer “em entrevista ao SBT'', ou “em entrevista à Record'', não “em entrevista exclusiva''.

Na minha opinião, se as emissoras conseguiram as suas entrevistas em situações e dias diferentes, não seria errado considerarem, cada uma, a sua “exclusiva''. Mas, sabendo que as três seriam exibidas na mesma noite, teria sido aconselhável não fazer este tipo de autopromoção.
 
Para o espectador, fica a impressão de que está sendo iludido. (Blog do Maurício Stycer)